


Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais

Como num conto-de-fadas
E depois de tanto esperar por aquele instante, eu me via a caminho de encontrá-lo. Sempre morri de medo de avião, mas qualquer sentimento que havia dentro de mim desaparecia quando comparado ao amor que ele me fez sentir. O tempo não passava, horas cruéis! Nem pareciam as mesmas que passavam tão rápido quando estávamos juntos. Quer dizer, não fisicamente falando… mas, mesmo distantes, sempre estivemos unidos por um mesmo amor, um só coração. Os ponteiros do relógio moviam-se lentamente, mas, enfim, cheguei. Toda aquela organização para sair do avião só me deixava mais agoniada, eu só queria sair dali, tinha vontade de gritar “Ei, por favor, algum de vocês tem um grande amor? Porque o meu está me esperando lá fora, há tempos que eu espero o momento em que aquela distância toda fosse minimizada e tudo o que eu quero agora é que vocês fossem mais rápido, pode ser?”. Mas tudo o que fiz foi respirar e aceitar esperar mais um pouco. Aliás, esperar já tinha se tornado a minha especialidade.
Chegou a minha vez. Pernas trêmulas, pude sentir os degraus se movendo. Só faltava descer mais dois, um… Terra firme! Depois disso, o que me restava era encontr…
- É ELE! – pensei.
Eu tinha olhado pra frente e, sim, era ele! Eu estava paralisada, meu corpo congelou por inteiro naquele momento. Ele apenas sorriu e veio até a mim com aquele ar feito por misto de felicidade e amor que eu tanto imaginava e desejava sentir de perto. Era como num conto-de-fadas. Meu rosto era plena alegria, ele apenas me abraçou e, com os lábios próximos ao meu ouvido, me disse:
- Não acredito que está aqui, não é possível que seja verdade, é mesmo você? Não é uma boneca? Se eu te abraçar mais forte, promete que não vai quebrar?
Uma lágrima escorreu por meu rosto enquanto eu sorria da forma mais sincera. Abracei-o o mais forte que pude, apertando o seu corpo contra o meu.
- Estamos aqui, meu amor. Finalmente… estamos aqui. – Respondi.
Ele segurou o meu rosto, tentando o virar para si, dizendo:
- Olha pra mim, eu preciso observar de perto cada detalhe seu.
Coloquei as mãos no meu rosto, não deixando ele me ver, enquanto dizia:
- Eu não dormi essa noite, estava muito ansiosa e não fechei os olhos nem por um segundo, não quero que me olhe tão fixamente enquanto eu estiver assim.
Ele delicadamente segurou as minhas mãos e tirou-as do meu rosto. Coloquei-as de volta em suas costas, enquanto ele acariciou minha cintura.
- Você está maravilhosa e eu não consigo imaginar outro rosto tão encantador quanto o seu. Boba! – Disse enquanto ria de mim.
Eu não sabia o que dizer. Ficamos ali abraçados durante minutos, sem dizer nada, apenas olhando um para o outro. Seu rosto era hipnotizante, eu poderia ficar horas apenas o admirando. Mas ele resolveu quebrar aquele silêncio.
- Você demorou tanto, que tortura foram essas últimas horas.
- Eu sei, amor. Foram de pleno anseio. Eu viria mais rápido se pudesse, mas…
Fui interrompida por um beijo. Um beijo longamente apaixonado. Eu morria de vergonha por estar num lugar em que havia tanta gente, mas não resisti, era o beijo que mais esperei em toda a minha vida.
- Eu te amo. – Sua voz me enlouquecia.
- Eu te amo muito mais.
- Seu beijo é fascinante.
Sorri e beijei seu pescoço, escondendo o meu rosto envergonhado. Voltei a olhar pra ele e disse:
- E você é um louco por me beijar assim aqui, na frente de todo mundo.
- Eu estou pouco ligando pra toda essa gente.
- Mas, amor, aqui tem seguranças e algumas pessoas não se sentem bem presenciando cenas assim.
Ele tirou as mãos da minha cintura, se distanciando um pouco.
- Caramba, foi só um beijo. Você é certinha demais, hein?
- Já vai brigar comigo?
Se aproximou novamente e voltou a pôr as mãos na minha cintura. Rindo, disse:
- Eu sempre quis ver de perto essa cara de chorona que você faz quando eu falo grosso contigo.
- Chato! Isso é maldade.
- Maldade é você tentar arranjar desculpas para sua vergonha por um beijo que te deixou louca e já pensando em como será o próximo. – Ele sussurrou em meu ouvido.
Dei um leve tapa em seu braço.
- Safado! Você é muito convencido. Eu nem disse se gostei…
- Ah, claro! Mas e essa sua cara de tonta apaixonada aí?
Rimos juntos.
- Tudo bem, eu não posso e não tem como negar. É como se eu estivesse escrevendo a página mais bonita da minha história, não mudaria nem uma vírgula desses últimos minutos. Meu sorriso agora transborda felicidade, é diferente de todos os outros que eu dei para esconder a angustia que era estar tão longe de você. Eu te amo e estou me sentindo como num…
- Conto-de-fadas. – Ele me interrompeu.
Sorri, era só o que eu podia fazer. Era exatamente o que eu ia falar e ele sabia disso. Ele sabia de tudo o que eu sentia. Ele sabia que eu o amava e isso era tudo o que ele precisava saber, aliás, era tudo o que se passava em meu coração.